Golpe promete vaga de jovem aprendiz, mas vende curso de informática

Doméstica é convencida a inscrever a filha para que ela participar do programa Jovem Aprendiz

04/02/2018 11:14:59



RIO — A alegria pela filha ter sido sorteada para participar do programa ‘Jovem Aprendiz’ durou pouco para a doméstica Emília Justino de Farias. Após ler contrato com mais cuidado, ela se deu conta de ter sido vítima de um golpe. Emília conta que recebeu um telefonema da empresa Ryubana Comércio de Livros e Cursos Ltda (Cedaspy-Ensino com futuro profissional), localizada em Copacabana, informando que sua filha Clêndia, de 15 anos, havia sido selecionada para o Programa “Jovem Aprendiz”. Interessada, se dirigiu ao curso alguns dias depois para fazer a inscrição no programa. Chegando lá, no entanto, ela foi informada de que a jovem precisaria fazer um curso de computação e, para isso, poderia se matricular ali mesmo, para, então, começar a trabalhar, dois meses depois, como ‘jovem aprendiz’.


A doméstica acabou sendo convencida a matricular a filha e assinou o contrato, sem perceber que o documento estipulava uma duração de 24 meses para o curso e dizia que a empresa não era obrigada a inserir os alunos no mercado de trabalho.

— Chegando no trabalho, mostrei o contrato para minha patroa, que me mostrou que cai numa armadilha. Que tudo não passava de um golpe para atrair novos alunos. Era tudo enrolação. Ela me aconselhou a voltar e cancelar o contrato junto à empresa — conta a doméstica.

A jovem assistiu a uma única aula, no dia 16 de dezembro, mas ao tentar cancelar por telefone, Emília não obteve sucesso, já que ninguém atendia no número de telefone que constava no contrato. Ao voltar ao endereço do curso, soube por outras pessoas que trabalhavam no prédio que a empresa entrara em recesso de fim de ano até 2 de janeiro.

 

No dia 3 do mês passado, Emília voltou ao curso e foi informada pela atendente que teria que pagar R$ 680 para cancelar o contrato, e caso não pagasse o próximo boleto, que venceria dois dias depois, teria seu nome inserido no SPC:


— Fiquei desesperada. Nunca tive este tipo de problema. Ao saber dos detalhes do contrato, vi que não teria condições de pagar o curso. Se minha filha foi sorteada para um programa que é do governo, não entendi porque eles estavam me cobrando aquele absurdo. Me falaram tudo diferente do que estava no contrato.

Orientada pela patroa, Emilia fez um registro no Procon Carioca para garantir seus direitos e receber de volta os R$ 280 pagos pela primeira mensalidade do curso, além de se isentar de qualquer vínculo com a empresa. De acordo com o órgão, um dos motivos que justifica o cancelamento é que o contrato traz valores diferentes do que foi pago pela consumidora. O documento previa o pagamento de 24 parcelas de R$ 509 pelo curso, com desconto de R$ 30 se a mensalidade fosse paga antes da data de vencimento. Ou seja, R$ 479. No entanto, o valor do boleto emitido para pagamento era de R$ 280, difere nte do valor previsto no contrato.

Em resposta ao Procon Carioca, a Cedaspy alegou que a consumidora procurou a empresa para cancelar o contrato no dia 3 de janeiro e, portanto, entendia ser devida a multa rescisória, conforme cláusula 11ª do contrato. Mas propunha um acordo em que concordava rescindir o contrato sem cobrança de multa, mas não aceitava devolver os R$ 280 pagos pela consumidora pelo fato de as aulas já terem sido iniciadas. A empresa afirma ainda que o cancelamento não fora solicitado dentro do prazo estipulado na cláusula de arrependimento. A empresa ressaltou que, para cancelar o contrato, a consumidora poderia se dirigir ao curso com uma cópia da carta encaminhada ao Procon Carioca.

A reportagem entrou em contato com a gerência do curso, mas até o momento da publicação da matéria, a empresa não havia se pronunciado.

 

Fonte Extra










0 Comentário


Faça login na página para fazer um comentário
Entrar