Com carência de efetivo, Polícia Civil trabalha com apenas 30% da capacidade

22/04/2018 15:16:03



O Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) abriu a caixa-preta da crise na Polícia Civil. Segundo dados da entidade informados à coluna, atualmente a corporação trabalha com cerca de 9 mil profissionais, ou seja, opera com apenas 30% da capacidade, já que deveria ter 23.100 agentes, conforme determina uma lei de 1983.

O que deixa a situação da corporação ainda pior é que, do total de policiais na ativa, 20% já estão em idade de se aposentar, ou seja, caso solicitem o benefício, pode deixar a situação ainda mais precária, pois não há previsão de convocação de aprovados em concursos já realizados ou de novas seleções. E a falta de pessoal na Polícia Civil afeta diretamente a população.

Segundo Fernando Bandeira, presidente do sindicato, cerca de 92% dos crimes ficam sem apuração, pois não há investigadores suficientes para a quantidade de inquéritos instalados. Só de inspetores, o déficit chega a 6.717 agentes. “Não há policiais suficientes para investigar os crimes. Além disso, a falta de pessoal afeta todo o processo de trabalho. Desde receber uma denúncia na delegacia até investigar crimes, como homicídios” diz Bandeira.

E quando o assunto é homicídio, os números são ainda mais alarmantes. Conforma uma fonte ligada a Polícia Civil informou à coluna, aproximadamente 95% destes crimes não são resolvidos. “Como o policial vai fazer o trabalho dele se falta tudo? A culpa não é do policial, é do Estado que sucateou a corporação”, questiona a fonte.

Corporação está sucateada

Uma agente que está há mais de 20 anos na corporação denuncia as condições precárias de trabalho nas delegacias. Segundo ela, não há manutenção em carros, em várias delegacias a limpeza não é feita, pois não há terceirizados, e muitas vezes faltam até papel e caneta.

— Os banheiros são podres, impossíveis de usar. Em muitas delegacias não existe mais serviço de limpeza e os próprios agentes precisam comprar materiais para fazer a higienização. Os carros estão sucateados. Às vezes, a manutenção é feita na camaradagem porque os agentes conseguem fazer o serviço em oficinas mecânicas de amigos. Com isso tudo quem sai prejudicada é a população, que vê a violência crescer e não consegue ter uma resposta com a apuração dos crimes — detalha.

Sindicato quer convocações

Para chamar a atenção para a precariedade, o Sinpol se reunirá na próxima quinta-feira com o chefe de polícia, delegado Rivaldo Barbosa, e em breve com o secretário de Segurança Pública, general Richard Fernandez Nunes, para pedir a nomeação de 248 oficiais de cartório aprovados no curso de formação da Acadepol, e de 96 papiloscopistas, ambos dos concursos de 2015.

O sindicato ainda vai levar uma proposta às autoridades: o aproveitamento emergencial de aposentados em condições de trabalho para fazer o primeiro atendimento nas delegacias, já que os profissionais terceirizados que faziam esse serviço foram dispensados pela empresa contratante por falta de pagamento do Estado, segundo o Sinpol. O Sindicato também vai cobrar o pagamento do 13º salário de 2017 que ainda não foi pago.

 

Fonte Extra










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