Metade da população se sente mal no horário de verão, revela pesquisa

Efeitos da mudança do relógio na saúde foram pesquisados pela 1ª vez. Cientistas defendem que cada um de nós tem um tempo próprio.

16/10/2017 19:18:04



O horário de verão começou neste domingo (15) em dez estados e no Distrito Federal. Pela primeira vez, foram pesquisados os efeitos da mudança do relógio na saúde dos brasileiros: metade da população se sente mal no horário de verão. Desses 50%, 25% se ajusta em mais ou menos um mês. Depois de um mês, ela começa a se sentir bem. Mas os outros 25% não se ajustam durante todo o horário de verão.

Relógio interno

Cada pessoa tem um relógio interno que regula nossa fisiologia. E o relógio interno de cada pessoa é único, individual e tem sua própria noção de tempo.

Isso significa que algumas pessoas acordam espontaneamente cedo pela manhã, horário em que estão mais ligadas no mundo, e outras odeiam acordar cedo, ficam com sono a manhã inteira, e “despertam” mais tarde. Preferem trabalhar ou estudar à noite, pois rendem muito mais. Estas pessoas sofrem, pois são obrigadas a contrariar o próprio relógio e forçar a fisiologia do organismo a funcionar contra si em um mundo que geralmente começa às oito horas da manhã (ou antes) e termina às seis da tarde.

Este ciclo de sono e vigília, individual e único para cada pessoa, se chama ciclo circadiano. Há poucas semanas três pesquisadores americanos – Michael Robash, Jeffrey Hall e Michael Young – que identificaram os genes responsáveis pela regulação molecular do ciclo circadiano ganharam o Prêmio Nobel de Medicina, tão importantes suas descobertas nesta área.

Estes genes controlam nossos mecanismos fisiológicos – hormônios e mediadores – que nos fazem estar mais ou menos “ligados” ou “desligados” em determinadas horas do dia. E esse relógio interno, que nos liga ou desliga, funciona cotidianamente, da mesma forma, única e geneticamente determinada para cada um de nós.

Quando viajamos para outros países, com diferentes fusos horários, nosso relógio interno se desregula. Resultado: ficamos mais cansados e com uma sensação orgânica de desconforto.

E muitos demoram, inclusive, para se acostumar com o horário de verão, que altera em apenas uma hora nosso ciclo circadiano.

Onde vale

O ajuste vale para as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal) e vigora até 18 de fevereiro do ano que vem.

Com isso, o horário no leste do Amazonas e nos estados de Roraima e Rondônia fica duas horas atrasado em relação à Brasília, enquanto oeste do Amazonas e Acre ficam três horas atrás.

Economia de energia

O horário de verão foi instituído com o objetivo economizar energia no País em função do maior aproveitamento do período de luz solar.

A medida foi utilizada pela primeira vez em 1931 e depois em outros anos, sem regularidade. Em 2008, ganhou caráter permanente e passou a vigorar do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte.

Fim do horário?

O governo federal chegou a avaliar o fim do horário de verão neste ano, depois que um estudo do Ministério de Minas e Energia indicou que o programa vem perdendo efetividade.

A análise mostrou que a intensidade de consumo de energia elétrica estava mais ligada à temperatura do que ao horário, com picos nas horas mais quentes do dia.

Porém, o Brasil enfrenta um período de estiagem, com hidrelétricas com níveis de água reduzidos, o que vem obrigando o governo a ligar as termelétricas (de operação mais cara) e até mesmo a importar energia de outros países.

Nesse cenário, qualquer economia de eletricidade é bem-vinda. Por isso, o governo decidiu manter o horário de verão em 2017. Para 2018, o assunto ainda será analisado.

 

Fonte G1










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