Mexer no celular antes de dormir pode provocar consequências preocupantes para saúde

Pesquisas mostram que o uso do aparelho interfere na qualidade do sono e no bem-estar de crianças e adultos

08/08/2018 11:13:33



Um hábito cada vez mais comum, mas que pode trazer consequências graves para a saúde. Checar o celular antes de dormir se tornou rotina para muitas pessoas. Pesquisas mostram, no entanto, que o uso do aparelho interfere na qualidade do sono e no bem-estar de crianças e adultos. As consequências para a saúde são tão graves quanto: vão de diabetes, a obesidade e depressão, além de baixo rendimento escolar para os pequenos.

De acordo com um levantamento da Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes, 93% dos alunos da universidade mantêm o celular próximo de si, 76% utilizam o mesmo já na cama e 68% acordam caso ele toque. Além disso, 79% usam o celular por pelo menos 15 minutos após se deitarem. Para Andrea Bacelar, neurologista e presidente da Associação Brasileira do Sono (ABS), os eletrônicos interferem diretamente no sono não só pelo atrativo de estar conectado, mas também pela luminosidade. Os aparelhos emitem uma luz azul, chamada de luz visível de alta energia, que afeta um tipo de fotorreceptor do olho. A faixa de luz é classificada como ultravioleta (nociva) até infravermelho (essencial) e a azul é justamente o ponto que quase atinge o topo do eixo nocivo.

"Nós precisamos da penumbra para produzir a melatonina, o hormônio do sono. E esses aparelhos inibem, através da retina com a luz azul, essa produção", explicou Andrea. O efeito negativo foi comprovado pela revista Science Translational Medicine, que comparou alterações no organismo provocadas pelo uso do celular antes de dormir e pelo consumo de café. A cafeína atrasou cerca de 40 minutos o sono habitual de uma pessoa, já a luz do telefone atrasou 85 minutos, quase uma hora e meia.

Já o King's College, da Universidade de Cambridge, reuniu dados de 125 mil crianças e adolescentes entre 6 e 19 anos que usam o aparelho móvel antes de dormir, e verificou a ocorrência de doenças como obesidade e depressão infantil. A médica da ABS esclarece que a tecnologia passou a influenciar no ritmo biológico do ser humano. "A promoção do sono, a vontade de dormir, começa a aparecer mais tarde do que o habitual. Só que o relógio vai despertar independente da hora que dormimos, logo acontece um débito. A população hoje vive em privação do sono", afirmou. Ela reforça que um adulto precisa descansar por, no mínimo, 7 horas por noite. Para adolescentes, o tempo necessário sobe para 9h e no caso das crianças, até 12h de sono.

O problema, contudo, não deve ser confundido com a insônia. "A insônia muitas vezes está relacionada a outra causa, como a ansiedade. Já quem retarda o sono pelo uso do celular consegue dormir quase que imediatamente quando desliga a exposição da luz do aparelho. O sono, nesse caso, vem com mais facilidade", disse Andrea.

Usuária assídua das redes sociais, a fisioterapeuta Monique Fernandes, de 32 anos, resume o uso do smartphone como "um vício que não tem controle". Ela checa diariamente o celular na hora de deitar. "Quando vou ver já passou da hora de dormir. Eu durmo às vezes cinco horas por noite e atrapalha muito no dia seguinte", contou.

Para resolver a questão, a neurologista dá três dicas para quem sempre está conecta: "Disciplina é fundamental. Nós precisamos desacelerar pelo menos uma hora antes de deitar. Então devemos finalizar conversas, deixar de responder e-mails, e entrar em redes sociais. O celular não deve ficar no quarto a noite", reforçou. A exposição ao sol pela manhã também é um sincronizador do sono, pontuou Andreia, assim como a atividade física. "Não funcionamos 24 horas, precisamos nos desconectar", finalizou a especialista.

 

Fonte ODia










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