Rio registra casos de gripe H3N2, que pode ser perigosa para crianças e idosos

11/04/2018 10:28:00



Um vírus que castigou os Estados Unidos no início do ano, causando 47 mil casos confirmados de gripe — mais do que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado — chegou ao Brasil e já é responsável pela maior parte das mortes pela doença por aqui.

Segundo o último informe epidemiológico do Ministério da Saúde, já são 13 os estados brasileiros que registraram 57 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados pelo Influenza A H3N2, resultando em dez mortes este ano. No Rio de Janeiro, são 11 casos e um óbito notificados, segundo dados da Secretaria estadual de Saúde.

A prevenção contra o vírus que, no Hemisfério Norte, foi associado a um maior número de hospitalizações e óbitos especialmente em idosos, crianças e doentes crônicos, está na vacina que, em duas semanas, começa a ser aplicada nos postos de saúde. A previsão é que a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe aconteça entre 23 de abril e 1º de junho, sendo 12 de maio, o dia de mobilização nacional (Dia D).

 

 

De acordo com o clínico e cardiologista José Geraldo Moreira, que tem acompanhado casos de gripe H3N2 em hospitais privados do Rio, para saber o vírus envolvido no quadro respiratório é preciso realizar um exame que custa cerca de R$ 3 mil:

— A maioria dos doentes não faz o marcador de painel viral. Há vários casos (de H3N2) nos hospitais privados do Rio. Nesse último mês, pude ver várias internações de idosos — disse o médico, acrescentando que costuma visitar pacientes nos hospitais Copa Star, da Rede D'Or, Samaritano e São Vicente.

Os sintomas da gripe H3N2 são coriza, febre, dor no corpo. Mas o quadro pode ser agressivo em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

— É algo agressivo, o paciente não fica bem e acaba indo para o hospital. Os idosos costumam ficar muito prostrados e gravemente doentes — diz Moreira.

O infectologista Celso Freitas também confirma os casos de gripe mais fortes causados pelo H3N2, mas descarta a necessidade de pânico:

— Não é preciso ficar desesperado, mas não se deve ignorar. Não é uma gripe suína. E está cedo para dizer se a epidemia que atingiu os Estados Unidos se repetirá aqui.

Freitas, que é gerente médico de vacinas do laboratório farmacêutico GSK, explica que os vírus que circulam no inverno no Hemisfério Norte costumam surgir no Brasil entre junho e julho, inverno no Hemisfério Sul.

— Todo ano, uma nova vacina é feita para se adequar ao que se espera que vá acontecer no país. Por isso, a vacinação é a principal forma de prevenir a gripe. Além disso, é bom evitar locais fechados e sempre higienizar as mãos.

Casos registrados no Rio

A Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria estadual de Saúde informou que, até o último dia 9, foram notificados 123 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no estado, sendo quatro deles causados pelo vírus H1N1 e 11 pelo vírus H3N2. Nesse mesmo período, foram registradas 13 mortes por SRAG, sendo uma por H3N2.

Já a Superintendência de Vigilância em Saúde da Secretaria municipal de Saúde do Rio afirmou que não houve detecção de aumento da demanda, de surtos ou casos graves. “A superintendência está atenta e monitorando as informações sobre a circulação do vírus influenza”, respondeu.

A assessoria de imprensa da Rede D’Or São Luiz informou que alguns de seus hospitais no Rio diagnosticaram pacientes com H3N2, que tiveram boa evolução clínica no tratamento. “Os casos registrados até o momento já foram notificados às autoridades competentes e se equiparam ao quantitativo dos anos anteriores”, afirmou, por meio de nota.

A assessoria do Hospital Samaritano informou que não há casos comprovados do vírus H3N2 em suas unidades de Botafogo e da Barra da Tijuca.

Dois tipos da vacina

Existem dois tipos de vacinas contra a gripe: a trivalente e a tetravalente. A vacina trivalente protege contra três cepas do vírus influenza. Para 2018, a Organização Mundial da Saúde definiu a composição da vacina com duas cepas de influenza A (H1N1 e H3N2) e uma linhagem de influenza B (Yamagata). A dose será oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações nos postos de saúde para crianças de 6 meses a 5 anos de idade, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, profissionais de saúde, portadores de doenças crônicas não transmissíveis, indígenas, pessoas acima de 60 anos e professores das escolas públicas e privadas.

Já a vacina tetravalente está disponível na rede privada e possui proteção contra quatro diferentes cepas do vírus influenza: duas cepas A (H1N1 e H3N2) e duas linhagens B (Yamagata e Victoria).

 

Fonte Extra










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